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Encurtamentos!! O Freio de Emergência do Corpo.

Qual o motivo dos músculos se encurtarem? A matéria de hoje levanta uma hipótese para isso. Talvez esses encurtamentos sejam uma forma do corpo mostrar que algo na está funcionando direito. O texto de Brooke Thomas tenta explicar essa teoria.

O Freio de Emergência do Corpo. (Brooke Thomas)

Por que o sistema nervoso não se sente seguro e portanto limita sua mobilidade? Porque aquela amplitude não é familiar, ou porque padrões compensatórios no seu corpo determinaram que certas partes do corpo precisam funcionar como um freio de emergência a fim de segurar as coisas juntas. Isso se resume a questões de controle motor (mais sobre o assunto aqui: Motor Control Theory and Their Applications) e da Lei de Davis, que pode ser (super) simplificada como: “Use ou Perca” (N.T: a Lei de Davis, seria a Lei de Wolff aplicada à tecidos moles. A Lei de Wolff, de maneira resumida diz que um osso responde aos esforços mecânicos modificando sua estrutura interna, como forma de adaptação às forças aplicadas).
Enquanto trabalhava no meu guia para liberação de isquiotibiais encurtados, eu sempre voltava à questão de como esses músculos funcionam em algumas pessoas com encurtamentos crônicos, como um freio de emergência. Este tipo de padrão compensatório surgem por uma série de razões, as mais comuns podem ser uma musculatura profunda do core sub-ativa, musculatura do core muito rígida (sim, sub-ativa e muito rígida podem aparecer juntas), adutores fracos, e muito mais. Se estas ou outras estruturas chave de estabilização não podem fazer o seu trabalho de forma satisfatória, os isquiotibiais serão recrutados. Eles irão assumir devido a falta de apoio de outros lugares.
Voltando à analogia do freio de emergência. Se seu carro está estacionado na beira de um penhasco e está seguro apenas pelo freio de mão, você o liberaria?

Não se você é alguém são. Esta é a mesma decisão que seu sistema nervoso tem que tomar quando você tenta se dobrar a frente e é parado prematuramente.
Seu Sistema Nervoso Comanda o Espetáculo
Na sua entrevista comigo, Jules Mitchell falou a respeito de como ela começou sua tese, com a intenção de mostrar a Ioga Asana sob um ponto de vista biomecânico, que é exatamente o que ela faz. No entanto, em virtude de ela ter começado seu trabalho sob a perspectiva de uma professora de ioga (com todos os ensinamentos que ela teve a respeito de como o alongamento leva a uma flexibilidade aumentada), ela ficou surpresa em descobrir que as pesquisas em relação ao alongamento não suportam essa ideia.
Ela descobriu que a noção de que se alongarmos mais e com mais afinco os tecidos irão se modificar, não era verdadeira. Na realidade, não somos pedaços de argila que podem ser moldados através de puxar partes com persistência. Isto porque nosso sistema nervoso central comanda o show.
O que isto significa? Significa que a menos que você esteja sob o efeito de uma anestesia geral (onde miraculosamente irá ganhar mobilidade total e até uma amplitude de movimento excessiva), sua habilidade de alongar em qualquer amplitude é determinada pela tolerância do seu sistema nervoso àquela amplitude.
Quando se tem isquiotibiais super rígidos e se tenta inclinar a frente (N.T: como na foto do início) e se encontra uma resistência rígida, isso não significa que é necessário puxar os isquiotibiais com se eles fossem algo inanimado. O sistema nervoso central é o que dá aquela amplitude final firme, e é basicamente como se dissesse: “Não, Desculpe companheiro. Não me sinto seguro naquela amplitude, então não estou te deixando chegar lá”
Ficar insistindo nisso e tentar forçar os isquiotibiais em amplitudes maiores, terá um de três resultados:
1. Nada irá acontecer.
2. Os isquiotibiais ficarão mais curtos.
3. Irá ocorrer lesão ao tecido (o que leva mais ou menos 2 anos para curar totalmente, se estivermos falando de lesão no tendão).
Não é recomendado tentar forçar, tentando sobrepujar o sistema nervoso em problemas de flexibilidade. Ele irá ganhar e não será agradável.

Esse texto deve servir como exemplo para pensarmos melhor sobre a nossa maneira de trabalhar o alongamento.

Referência

www.fortius.com.br

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