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Treinamento e Fáscia

por Thomas Myers |   Data de Publicação : 24 mar 2017

Se você não soubesse o que são os músculos, você poderia ser um bom treinador? Possivelmente – todo o treinamento corporal foi feito intuitivamente desde as artes marciais e os primeiros jogos começaram na pré-história. Nós só sabemos sobre os detalhes dos músculos individuais e biomecânica moderna por algumas centenas de anos, então muito do treinamento foi feito antes de termos esse conhecimento.

Você é um treinador melhor se você conhecer os músculos e saber como eles funcionam? Esta é certamente a visão aceitada, e pesquisas sobre a relação dos músculos abdominais com a fáscia toracolombar, o papel do glúteo médio na estabilidade pélvica, ou o papel do psoas no equilíbrio lombar levaram a novas estratégias de tratamento.

O mesmo se aplica para os nervos e a aprendizagem motora, os sistemas de órgãos e nutrição, e todas as novas pesquisas sobre recuperação – todo nosso conhecimento nos torna melhores treinadores.

Todas as pesquisas que você ouve são igualmente válidas?

Não, não são.

Nós temos que discernir quais nós aceitamos como ‘fatos’ estabelecidos – principalmente nesta indústria jovem, onde os ‘fatos’ mudam com cada década. Ainda há muito a ser aprendido sobre o corpo e o treinamento.

 

Aplicação Prática: Fáscia

Vamos aplicar a mesma lógica ao tecido biológico do corpo, hoje em dia geralmente chamado de ‘fáscia’. Todas as vezes que você se move, o tecido biológico tem que responder às forças da gravidade e de qualquer peso ou momento que você adicionar a ele. Se ele sobrecarregar, ele se rompe. Se estiver com pouca carga, ele eventualmente fica flácido. Se estiver carregado corretamente, ele se mantém organizado e funcional.

Você treina sua fáscia todos os dias, sabendo ou não, prestando atenção ou não. Você está afetando a fáscia de outras pessoas todos os dias na sala de treinamento. A pergunta é se você pode fazer um trabalho ainda melhor se você entender o que é isso e como isso funciona.

‘Fáscia’ se tornou um jargão, e há vários ‘fatos’ sobre a fáscia que eu ouço quando vou a convenções de treinamento – ‘fatos’ que eu sei que são falsos. Aqui estão algumas verdades sobre a fáscia que todo treinador deveria saber:

  1. A fáscia é sistêmica: A fáscia não é um conjunto de partes, é um sistema. Se nós pudéssemos magicamente deixar tudo invisível exceto a sua matiz do tecido conjuntivo, nós veríamos a forma exata de seu corpo. Fale o quanto quiser sobre tendão de Aquiles, fáscia toracolombar, ou ligamento médio colateral, o fato científico é que não há partes separadas. Há apenas uma teia de aranha 3-D no corpo todo da fáscia cercando suas 70 trilhões de células.

A fáscia providencia o contexto, o meio, o ambiente de movimento. Nós estudamos os outros dois sistemas do corpo todo – o sistema nervoso e o sistema circulatório – mas em 500 anos de anatomia, nós não estudamos a rede do tecido conjuntivo como um sistema.

Como um sistema, a fáscia gerencia a autorregulação biomecânica – todas as contrações e flexões que seu movimento cria. Seu trabalho é distribuir forças ao longo do sistema de forma que todas as suas células possam servir e serem servidas. A melhor forma de entender isso em termos de engenharia não são alavancas e vetores, mas sim como uma tensegridade do corpo todo.

Modelo de tensegridade corporal de Flemons

 

  1. A fáscia compõe sua própria arquitetura – de acordo com suas demandas. Toda sessão de treino e toda lesão tem um componente fascial. Quanto mais pesada a sessão de treinamento, mais ‘rasgo e reparo’ ocorre. (Esta frase é um pouco simplista, mas é descrição justa do processo de remodelagem.)

Entender a modelagem e remodelagem da fáscia na construção de força ou reparando o que quer que seja rasgado é a responsabilidade de todo treinador. A habilidade dos fibroblastos de limpar, reparar e fazer novos tecidos conjuntivos é como a fáscia autorregula nosso sistema. Quanto mais nós entendermos este processo, mais nós podemos dar o estímulo certo ao sistema para ajudá-lo a crescer e reparar da forma mais funcional.

  1. Componentes e propriedades fasciais: Assim como a degradação de proteínas no músculo, e os canais e neurotransmissores iônicos nos nervos, isso ajudará os treinadores a entender os componentes e as propriedades das várias formas de fáscia espalhadas pelo corpo dos ossos à gordura.

Os componentes para entender são simples: Células (principalmente fibroblastos e seus primos), armazenados em um ambiente aquoso produzem fibras (25 tipos de colágeno, elastina e outros elementos estruturais fortes) e também produzem substâncias mucoides que adora água – glicoaminoglicanos – que colam o corpo todo.

Células, fibras, cola e água – uma lista bem simples, mas combine-as de forma diferente e você pode obter dentes, ossos, a córnea do olho, válvulas cardíacas, gordura, tendões, ligamentos, fáscia dentro e ao redor dos músculos e outros órgãos – uma grande variedade de materiais de construção a partir de uma lista curta de ingredientes.

A propriedade da viscosidade é essencial para o trabalho da fáscia em uma base segundo a segundo, do fluido sinovial nas articulações até os mucopolissacarídeos similares entre os músculos e tendões:

 

Imagem Cortesia do Dr. Jean-Claude Guimberteau

 

A propriedade da elasticidade – que agora sabemos que pode ser treinada na fáscia até mesmo de velhos como eu – é algo essencial para saber como cultivar. A elasticidade é uma propriedade da juventude, sua falta acompanha a idade avançada, então se nós pudermos a manter por mais tempo através de treinamento fascial funcional… A elasticidade é treinada em velocidades atléticas.

Plasticidade é uma propriedade da fáscia onde ela pode ser alongada através de um alongamento contínuo – isto não ocorre em velocidades atléticas, e sim em velocidades de yoga e tai chi. Se a fáscia ficar realmente encurtada (não apenas mantida por tensão neuromuscular), então um alongamento contínuo é necessário para alongá-la de qualquer modo permanente.

 

Conclusão

A fáscia não é a resposta para todas as perguntas. O que nós precisamos saber sobre a fáscia será muito conhecido em outra década. Seu papel é principalmente passivo comparado com o sistema neuromuscular instantaneamente responsivo. Seu papel ativo na remodelagem ocorre de dias a meses, mas nós ainda temos que prestar atenção.

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